POLÍTICA – Cientista político analisa perfil do eleitorado roraimense em 2022

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O eleitorado de Roraima é considerado conservador Legenda: Dr. Roberto Ramos, ex-Reitor da UFRR. Crédito

O professor doutor Roberto Ramos é um renomado cientista político brasileiro, com mais de duas décadas de pesquisas sobre partidos e eleições no Brasil. Foi reitor da Universidade Federal de Roraima, por dois mandatos consecutivos, atualmente ele se dedica à pesquisa científica no Núcleo de Pesquisas Eleitorais e Políticas da Amazônia (Nupepa), vinculado a UFRR.

Em entrevista exclusiva ao Roraisul, Ramos destaca que o perfil do eleitor roraimense é semelhante ao padrão nacional, com eleitores conscientes que votam por aquilo que acreditam ser melhor para o estado e o país e, aquele que tem uma pauta puramente clientelística, que vota de acordo com a troca que o político faz em termos de benefícios seletivos.

Segundo ele, o voto clientelista [em troca de benefícios], em geral favorece quem está no poder. “Quem tem mais poder dirige a compra de votos do eleitor. É o caso dos eleitores que estão dentro da máquina política, sem concurso público, em cargos de direção que mostra a fidelidade do voto no dia das eleições”, explica.

Na análise de Ramos, existe uma diferença socioeconômica e sociocultural entre o eleitorado do interior, em relação ao da capital, que fica mais evidente na questão da escolaridade, no comportamento cotidiano, ligado mais às questões rurais, na luta pela sobrevivência a partir da terra.

“Nas áreas urbanas tem o setor de serviço com uma maior competição e uma maior formação educacional do eleitor. Ele tem mais acesso à informação, ele consegue lidar mais com as redes sociais e isso molda a forma de pensar desse eleitor. A forma como ele lida com as informações faz toda a diferença”, lembra.

Nas pesquisas científicas que realizou, o professor Roberto Ramos concluiu que o eleitorado de Roraima demonstra um perfil mais conservador, uma vez que os partidos mais à direita, com a política claramente clientelística tem conseguido fazer com que o voto aconteça em maior número.

“O clientelismo tem sido uma política muito perversa, porque ele faz de questões públicas, que numa política republicana deveria dar acesso a todos, para colocar no intermédio o interesse de alguém”.

Sobre as eleições 2022, Ramos destaca que serão colocados à prova a continuação dos projetos de poder do presidente da República e do governador, numa espécie eleição plebiscitária, que é quando os eleitores julgam, de modo geral, as ações executadas no primeiro mandato do líder político.

“Com relação às eleições de deputado estadual e deputado federal, há uma expectativa que haja uma renovação em grande número. Tem políticos há muito tempo no poder, e isso tem gerado uma insatisfação e a expectativa é que o eleitor faça mudança, novas escolhas”, finaliza Ramos.

 

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