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Sequestro do jornalista Romano dos Anjos, ocorrido no dia 26 de outubro do ano passado. Foto: arquivo

Policiais militares que eram lotados no gabinete de Jalser Renier são alvos da Operação Pulitzer

A Operação Pulitzer, desencadeada na manhã desta quinta-feira (16 de agosto), na qual policiais civis e militares cumprem 7 mandados de prisão e 14 de busca e apreensão contra os envolvidos no sequestro do jornalista Romano dos Anjos, ocorrido e dezembro de 2020, repercute em nível nacional. O jornal global Bom Dia Brasil, por exemplo, informou que os acusados são policiais civis que eram lotados no gabinete do ex-presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier (Solidariedade).

O fato de os policiais serem todos lotados no gabinete do deputado Jalser, à época do sequestro, faz com que o parlamentar seja considerado como um dos suspeitos de ser o mandante do crime. Apesar disso, seu nome não está entre os alvos da Operação Politzer. Romano dos Anjos foi sequestrado, espancado, teve os dois braços quebrados e depois foi abandonado numa área de mata na região do Bom Intento, em Boa Vista.

Os policias do Grupo de Ações Especiais Contra o Crime Organizado (GAECO) cumprem nesta quinta-feira seis mandados de busca e apreensão contra policiais militares. Na lista de acusados está um coronel aposentado e um major. Também está entre os alvos da Operação Politzer um ex-servidor da Assembleia Legislativa de Roraima à época do crime.

São alvo dos mandados de prisão os policiais Paulo Cesar de Lima Gomes, coronel da PM (aposentado); Vilson Carlos Pereira Araújo, major da PM; Nadson José Carvalho Nunes, subtenente da PM; Clóvis Romero Magalhães Souza, subtenente da PM; Gregory Thomaz Brashe Júnior, sargento da PM;

Thiago de Oliveira Cavalcante Teles, soldado da PM; e Luciano Benedito Valério, ex-servidor da Assembleia Legislativa.

‘Estamos diante de uma milícia perigosa’, diz jornalista sobre envolvidos em seu sequestro

“Este é apenas o começo do alívio. Isso porque existe um grupo bem maior envolvido. Nós sabemos que se trata de uma milícia que age já faz algum tempo”. A fala é do jornalista Romano dos Anjos, que concedeu entrevista coletiva à imprensa sobre a Operação Pulitzer, ação policia desencadeada na manhã desta quinta-feira (16 de setembro), com o objetivo de prender alguns dos envolvidos sequestro do qual foi vítima em 20 de outubro de 2020.

Apesar de se dizer “mais aliviado”, Romano afirmou que ainda vive com medo, pois tem a certeza que o seu sequestro foi executado por uma milícia que está a serviço de “gente grande” e porque o mandante ainda não foi revelado, apesar de as investigações apontarem numa direção quase óbvia.

Quando foi sequestrado, Romano dos Anjos recebeu a ameaça de que, caso voltasse a apresentar o programa que comandava da TV Imperial, de Boa Vista, seria morto. Com seu psicológico ainda abalado, ele disse viver com medo e afirmou ter que tomar remédios para dormir e para acordar.

O jornalista também ficou com sequelas físicas, pois não consegue esticar nem levantar os braços que foram quebrados pelos sequestradores com técnicas de tortura. “Ainda tenho receio de que aconteça algo comigo, com minha esposa ou com minha família”, afirmou.

Romano dos Anjos se mostra indignado por saber que os envolvidos no seu sequestro são policiais militares, mas diz que a operação desta quinta-feira aumentou sua confiança na Polícia Militar. “É muito triste nós vermos que as pessoas que fizeram isso são pagas com nosso salário, com nossos impostos. Pior ainda: saber que são pessoas que trabalhavam comigo, que estudaram comigo, que batiam nas minhas costas e diziam que gostavam do meu trabalho”, disse o jornalista com a voz embargada.

Jalser se pronuncia

No início da tarde a equipe do deputado estadual Jalser Renier emitidou nota sobre o ocorrido. “O Deputado Estadual Jalser Renier esclarece estar surpreso e informa que desconhece o teor das investigações. Explica que a escolha dos policiais militares para compor a Casa Militar da Assembleia Legislativa segue critérios técnicos e todos os escolhidos são idôneos, com ficha exemplar. Enfatiza que acredita na Justiça e espera que o caso seja solucionado a contento.”

Casa Legislativa também emite nota

“A Assembleia Legislativa de Roraima informa que o processo envolvendo o sequestro e tortura do jornalista Romano dos Anjos está sob segredo de Justiça e que esta Casa tomou conhecimento dos fatos pela imprensa.
Ressalta ainda que os investigados não fazem mais parte do quadro de servidores na atual gestão”, disse.

“A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa repudia atos que violem os direitos de quaisquer pessoas, notadamente aqueles praticados contra a liberdade de expressão e a ordem democrática”, acrescentou.

“O Poder Legislativo Estadual acredita e apoia o trabalho do Poder Judiciário, Ministério Público e dos órgãos de investigação para a solução do caso e responsabilização dos culpados”, concluiu.

Luiz Valério

Jornalista, escritor, blogueiro e podcaster. Especialista em Comunicação Social e Novas Tecnologias. Profissional de Marketing Digital. Fundador e Editor-chefe do Jornal Roraisul. (Uma ousadia e aventura inesquecível com meu sempre amigo Osmar Morais).

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