Cáritas faz campanha a favor da vacina contra Covid-19 em Roraima

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Roraima tem apenas um terço da população imunizada contra Covid-19. Foto: Cáritas

Desde o início da campanha de vacinação nacional, há nove meses, apenas 36,06% da população de Roraima completou o ciclo vacinal contra a Covid-19, ou seja, 174.580 pessoas tomaram a primeira e a segunda dose ou a dose única do imunizante. Os dados são do Vacinômetro, atualizados no dia 1º de novembro e publicados pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesau).

No quadro nacional, segundo o consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, Roraima é o estado que menos vacinou a população proporcionalmente. Lá, a taxa chega a ser ainda menor do que a divulgada pelo governo estadual: somente 27,32%.

Uma pesquisa do Johns Hopkins Center for Communication Programs (CCP) revela que entre as razões que levam a hesitação da vacina, no estado de Roraima, está a preocupação com os efeitos colaterais, a dúvida sobre a segurança da vacina e sua eficácia. Dos entrevistados que não foram vacinados em todo Brasil, 21% da população tem dúvida se irá vacinar e 31% não irá vacinar. Algumas das razões que podem impulsionar esses dados são a propagação de notícias falsas e desinformação.

Em resposta a esse cenário, a Cáritas Brasileira e a Cáritas Diocesana de Roraima, por meio do projeto Orinoco: Águas que Atravessam Fronteiras, iniciaram uma campanha a favor da vacina.

“Quando olhamos os dados de vacinação em Roraima, não tem como associarmos aos processos que estão correndo mundo a fora da propagação de notícias falsas. Combater esse movimento é uma ação difícil e cotidiana.”, explica Raphael Macieira, coordenador nacional do projeto. Para ele, um dos papéis sociais dos e das agentes Cáritas, neste contexto,  “é o de levar informação segura e sensibilizar a população de que a pandemia ainda não chegou ao fim.”

A campanha é veiculada por meio de um carro de som, com áudios em espanhol e em português, para desmistificar mitos e orientar migrantes venezuelanos e toda a população de Boa Vista e Pacaraima, cidades de atuação do projeto, sobre a importância da vacinação contra a Covid-19.

O carro de som circula nas instalações sanitárias do projeto, tanto em Boa Vista quanto em Pacaraima, e em 11 ocupações espontâneas (locais que possuem estruturas improvisadas), atendidas pelo Orinoco, no período da manhã e tarde.

Ao todo, dez mensagens que falam sobre a importância da vacina para reduzir número de pessoas com sintomas, de casos graves e de mortes pela doença sem precedentes, sobre ainda manter o uso de máscara e a higienização correta das mãos e, principalmente, que a vacina é um direito de todos e todas e como fazer para se imunizar.

A Cáritas Brasileira não localizou nos portais de notícias do governo de Roraima e das prefeituras de Boa Vista e Pacaraima, informações e orientações acerca da vacinação para o público migrante em situação de rua.

Por e-mail, o governo de Roraima informou em nota que “tem reforçado com cada município a importância do cumprimento das diretrizes no Plano Nacional de Imunizações”, disse.

AÇÕES DE ENFRENTAMENTO À COVID-19

O enfrentamento ao coronavírus tem sido uma prioridade da rede Cáritas, desde o início da pandemia. Em abril de 2019, seguindo os protocolos dos órgãos de saúde, a instituição lançou o Plano de Contingência, documento que vem orientando as ações desde então, com os acréscimos das novas descobertas científicas.

No Orinoco, a promoção de higiene é uma prioridade e é transversal à atuação de todo o projeto. O desenvolvimento de atividades educativas incentivam a lavagem correta de mãos, uso de máscaras, álcool em gel, entre outras orientações que são aliadas à vacinação e por isso devem ser mantidas mesmo depois do ciclo de imunização ser completado.

Desde o mês de maio, a equipe de educadores do projeto Orinoco encena a apresentação de pantomima “Mãos Limpas Salvam Vidas”, como parte das ações lúdicas  voltadas para alcançar todas as idades. O teatro foi filmado e publicado recentemente no YouTube. Confira: https://youtu.be/zGcs9ZXUX-Y

PROJETO ORINOCO

Financiado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional e Bureau for Humanitarian Assistance (BHA/USAID), o projeto Orinoco atende a população em situação de extrema vulnerabilidade social e econômica, que vive na capital Boa Vista e em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, desde 2019.

O projeto possui, nas duas cidades assistidas, locais estruturados com banheiros, duchas, lavanderias e bebedouros. Na capital são três instalações e em Pacaraima, uma.

Além das instalações sanitárias, o Orinoco também promove melhorias de água e saneamento em 15 ocupações espontâneas (locais que possuem estruturas improvisadas) atendidas pela Cáritas em Roraima, na capital do estado e na fronteira com o país vizinho. Nestes locais, são garantidos módulos de banheiro, com sanitário, chuveiro e pias; estações de lavagem de roupas; melhorias nas estruturas já construídas pelas comunidades; e distribuição de kits de limpeza e de higiene pessoal, com momentos educativos, como resposta de proteção ao coronavírus.

Em abril deste ano, o Orinoco também estendeu as ações para as comunidades indígenas Tarau Paru, Sorocaima e Bananal, na região do Alto São Marcos, em Roraima, que têm recebido indígenas Taurepang do lado venezuelano, diante ao agravamento na crise migratória, política e econômica, enfrentada pela Venezuela desde 2015.

Luiz Valério

Jornalista, escritor, blogueiro e podcaster. Especialista em Comunicação Social e Novas Tecnologias. Profissional de Marketing Digital. Fundador e Editor-chefe do Jornal Roraisul. (Uma ousadia e aventura inesquecível com meu sempre amigo Osmar Morais).

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